sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Brasiguaios voltam a ser ameaçados no Paraguai


Grupos de lavradores organizados do departamento de San Pedro, no centro do país, deram um prazo de oito dias, a contar desta quinta-feira, aos brasileiros que cultivam soja nessa região, conhecidos como "brasiguaios", para que abandonem suas fazendas.
O diretor de Assuntos Especiais da Chancelaria paraguaia, Víctor Hugo Peña Bareiro, disse que o presidente Fernando Lugo garantiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva "o respeito aos direitos humanos, civis e políticos de qualquer residente" brasileiro no Paraguai.
Grito em Foz
Na terça-feira, produtores do departamento de Alto Paraná, no Leste do país, pediram proteção às autoridades em Foz do Iguaçu, que faz fronteira com o Paraguai, ao se declararem ameaçados pelos sem-terra em plena época de semeadura da soja.
Calcula-se que cerca de 300 mil brasiguaios, muitos deles com grandes explorações agrícolas, vivem no Paraguai ao longo da extensa linha fronteiriça com o Brasil.A maioria se dedica ao cultivo da soja, principal fonte de divisas do Paraguai.
Em várias regiões agrícolas do país, centenas de camponeses estão acampados ao redor das fazendas e granjas agrícolas sob ameaça de voltar a ocupá-las, após uma trégua acordada com o Governo.
Os camponeses radicais argumentam que, no passado, grandes extensões de terra fiscais foram cedidas a pessoas que não participavam da reforma agrária e que o cultivo mecanizado de soja depreda as florestas e polui o meio ambiente com as fumigações maciças."Vamos proteger os direitos de todas as pessoas, vamos levar adiante a reforma agrária, sempre através das vias correspondentes", afirmou o ministro do Interior, Rafael Filizzola, ao pedir aos produtores brasileiros que recorram aos organismos de segurança paraguaios.
"Não vamos admitir nenhum tipo de interferência, nem pressões, nem ingerência de nenhuma outra instância", enfatizou Filizzola.
A tensão no campo se intensificou há três semanas, depois da morte de um camponês em um incidente na fazenda de um brasileiro ocupada por lavradores, no departamento de Alto Paraná. (JI com agência EFE)

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