segunda-feira, 20 de outubro de 2008

JÁ VI ESSE FILME...



*RICARDO ICASSATTI HERMANO


Não sou eleitor americano. Não tenho preferência por nenhum dos dois candidatos à Presidência dos Estados Unidos da América. Tenho interesse pelo processo eleitoral daquela que apregoa ser a maior e mais perfeita democracia da Terra. Também me interesso pelas diferenças e pelas semelhanças com o processo eleitoral brasileiro. Em termos gerais, os problemas enfrentados pelos candidatos são similares, assim como as soluções.

Quando vi e ouvi o candidato do Partido Democrata, Barack Hussein Obama, na televisão, pensei com meus botões: “já vi esse filme”. E não era apenas a imitação do que já haviam feito os irmãos John e Robert Kennedy. O filme que eu já havia visto era brasileiro mesmo.

Ali, na televisão, estava Fernando Collor com o discurso esquerdóide do Lula. Aquela mesma empáfia e arrogância da juventude e da educação refinada, os ternos impecáveis, o sorriso estudado, a simpatia marqueteira, a seriedade forjada. E o mesmo discurso vazio de mudança, de esperança, do rompimento com o passado e do salvador da pátria. Alguém que faz e promete qualquer coisa para alcançar seus objetivos.

Quem é Obama? A imprensa democrata não investigou um milímetro sequer da vida dele. Seu passado é semelhante ao de muitos jovens americanos. Participou das mesmas bobagens e fez as mesmas bobagens. Nunca administrou nada. Não sabe nada de economia ou de política externa. Tudo o que fala foi cuidadosamente escrito por outra pessoa. Como senador, foi um zero à esquerda (sem trocadilho). Sua maior obra foi escrever a própria biografia. Mas, parece um bom e confiável moço, um intelectual. Embora hoje defenda tudo o que votou contra no Senado.

Mas, ele fez um bonito discurso quando se lançou candidato a candidato. E aí não poupou ninguém. Plagiou Martin Luther King, Malcom X e os irmãos Kennedy. Uma receita de bolo que deu certo por causa do timing perfeito. Justamente quando o clã Bush já não representa nada de bom e positivo. Obama representa o negro sem raiva dos brancos. A mudança, sem nenhuma proposta concreta de governo.

Percebi que tanto aqui como lá, é fácil enganar o eleitor com belos discursos e um marketing razoável. Especialmente em tempos difíceis. Não acredito em pesquisas, pois sei como são feitas. As pesquisas de intenção de voto e de popularidade refletem apenas os desejos de quem paga por elas. Nos Estados Unidos, quase todas são pagas por veículos simpáticos à candidatura de Obama.

O candidato do Partido Republicano, John McCain, tem um mérito. Ele é o que é. Para o bem e para o mal. Não tenta ser outra pessoa. Ele também é ambicioso e quer chegar à Casa Branca, mas tem demonstrado mais honestidade que o seu oponente. E tem sido criticado pelo seu partido por isso. O senador republicano não tem vergonha do seu passado e não esconde a sua atuação parlamentar.

McCain é cristão, conservador, herói de guerra, casado com uma milionária e posa de independente, ou Maverick como os americanos gostam de falar. O senador é experiente, idoso, pró-guerra e prega o corte de impostos. O problema é que os republicanos sempre prometem cortar impostos, mas sempre aumentam.

McCain acredita no sonho americano. McCain representa o american way of life e a “diplomacia do porrete” (Big Stick) de Theodore Roosevelt. Por outro lado, McCain tem planos bem elaborados para um futuro governo e não tem medo de discuti-los publicamente. McCain não representa a mudança. O velho senador representa a solidez da mesmice, o bom senso do continuísmo e a confiança do que já é conhecido.

Não fosse uma escorregadela de Obama durante incursão na cidade de Toledo, Ohio, jamais saberíamos o que ele pensa para a economia. Obama se viu obrigado a responder sobre o que fará em relação aos impostos a um eleitor que ficou conhecido como “Joe the plumber” (Joe, o encanador) e acabou sendo a estrela do último debate entre os dois candidatos.

Obama usa um expediente para conseguir boas imagens para a televisão dando o bote em bairros residenciais de pequenas cidades. Ele finge que está de passagem e resolve parar para conversar com os habitantes, pedir votos, ser assediado etc. Mas, ele esqueceu que vive no país onde foi criada e funciona a Lei de Murphy, quando algo pode dar errado, vai dar errado.

Como a imprensa apóia Obama descarada e imoralmente, o Joe encanador apareceu e resolveu perguntar qual era o plano de Obama para a economia. Joe reclamou que seu pequeno negócio estava afundando devido ao grande volume de impostos e o candidato não estava sendo claro em relação a corte ou aumento de impostos.

Obama foi pego de calças curtas diante de várias redes de tevê e foi obrigado a improvisar. Se deu mal. Saiu com um plano aloprado do tipo Robin Hood, de tirar dos ricos para dar aos pobres e incluiu o pobre encanador na primeira categoria. Não conseguiu explicar como fará isso. O Joe conseguiu o que ninguém havia conseguido antes, pois Obama sempre se esquivava do assunto com o discurso da mudança.

Os americanos adoram números. Por isso, eles medem tudo e amam a informação. Graças a essa disciplina, sabemos que existe um fenômeno na eleição deles que se chama “a surpresa de outubro”. Um acontecimento que muda tudo, inverte tendências e frustra resultados garantidos. Talvez a surpresa dessa eleição seja o Joe encanador, que está sofrendo perseguição da imprensa como nunca se viu. Mas não é para transforma-lo em celebridade. Eles querem desacreditá-lo, querem destruí-lo mesmo.

Inconformada com estrago na imagem de Obama, a rede de televisão NBC mantém estacionado na porta da casa do Joe encanador, um caminhão com link de satélite. Já tentaram dizer que ele foi “plantado” pelos republicanos e que sequer é encanador. Nada conseguiram. Assim como nada fizeram quando, na semana passada, o FBI abriu inquérito para investigar a organização não governamental Association of Community Organizations for Reform Now (ACORN) que fraudou mais de 200 mil registros de eleitores em 18 estados, até o momento.

Para quem acha que Obama é o bom moço que aparenta ser, descobriu-se que essa ONG tem laços estreitos com Obama. Assim como um dos diretores da falida instituição de crédito imobiliário Fanny Mae, que deu início à quebradeira geral, era nada mais nada menos que o assessor de campanha para assuntos econômicos de Obama, além de conselheiro para investimentos pessoais. Qualquer semelhança com políticos brasileiros é mera coincidência.

Além da “surpresa de outubro” os americanos já identificaram há muito tempo algo que chamam de “a grande maioria silenciosa”. Trata-se de uma enorme quantidade de eleitores que não são alcançados pelas tais “pesquisas” de intenção de voto. Eles só aparecem no resultado das urnas. Os institutos de pesquisa, eles não são bobos, já divulgam pesquisas em que a diferença de votos entre Obama e McCain caiu misteriosamente de 20 pontos percentuais para apenas 2 ou 3. A eleição é no próximo dia 4 de novembro.

Como acabei constatando, as eleições americanas são muito parecidas com as nossas. Mesmo que as duas democracias sejam completamente diferentes em sua essência. Acredito que seja por causa dos políticos. Eles são todos iguais mesmo.

*RICARDO ICASSATTI HERMANO, jornalista, graduado em Ciências Políticas

2 comentários:

Everton disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Everton disse...

Francamente não sei quem é mais manipulador, Barack Obama, John McCain ou RICARDO ICASSATTI HERMANO.