sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Ferroeste vai alavancar agronegócio brasileiro


O Oeste de Santa Catarina, que integra o competitivo mercado internacional do agronegócio, e que vive um momento de euforia com a implantação de novas indústrias de processamento de carnes e produtos alimentícios, vai ganhar fôlego extra com a chegada do novo ramal da Ferroeste, a única estrada de ferro pública do País, com obras previstas para o próximo ano.

Mais de duzentas pessoas participaram de audiência pública no município de Chapecó (SC), para conhecer o projeto de expansão da ferrovia que beneficiará a região. Representantes do governo do Paraná apresentaram dados para a realização de estudo de viabilidade (primeira fase), ouvindo solicitações das diversas lideranças políticas e econômicas da região, para que o novo trecho seja realizado num trabalho de parceria e cooperação técnica. O encontro aconteceu na Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC) e reuniu as principais lideranças políticas, industriais e governamentais da região.

O novo ramal da Ferroeste beneficiará também o Sudoeste do Paraná que, além de produzir parte dos grãos para o Oeste de Santa Catarina, apresenta igualmente um forte crescimento da indústria da carne. Por outro lado, a ferrovia reduzirá o preço de outros produtos, como o calcário, oriundo da Região Metropolitana de Curitiba, e da madeira industrializada na região de Palmas para exportação, explicou o presidente da Ferroeste, Samuel Gomes.

A construção dos ramais da Ferroeste ligando o Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul conta com o apoio dos governadores do Codesul – Conselho de Desenvolvimento da Região Sul e do Governo Federal, que deverá aportar recursos públicos, além do financiamento do BNDES e de bancos privados.

Para o presidente da ACIC, Vincenzo Mastrogiacomo, a chegada da Ferroeste em Santa Catarina é sinal de um maior desenvolvimento. “A Ferroeste contribuirá com o aumento da produção local, uma vez que deve haver significativa redução no custo do transporte, além da integração com as regiões produtoras de grãos do Paraná, Mato Grosso do Sul e Cento Oeste”, explica.

A previsão é de que o frete ferroviário fique em torno de 30% mais barato em relação ao modal rodoviário, promovendo a redução do preço de insumos da produção de carnes, especialmente milho e soja, melhorando o desempenho da indústria nacional e mercado internacional.

O produto final, que hoje é transportado em containeres frigorificados por caminhões para os grandes centros e para os portos do Paraná e Santa Catarina, também será transportado por trem. Tudo isso resultará numa redução do preço final do produto exportado ou consumido no mercado interno, segundo previsões dos especialistas em logística da Ferroeste.

Audiências Públicas- O objetivo das audiências públicas é o de apresentar e discutir o plano de trabalho do estudo de viabilidade (primeira fase) da ferrovia e iniciar a coleta de informações sócio-econômicas nas regiões próximas à expansão da estrada de ferro, principalmente produtores locais, entidades governamentais e de classe, além de representantes da comunidade. No último dia 01, ocorreu encontro similar no município de Francisco Beltrão, que fica na região Sudoeste de Paraná.

Os dados colhidos nas regiões serão fundamentais para compor o estudo de viabilidade dos novos trechos da ferrovia, que está sendo coordenado pelo Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (LACTEC ), com apoio do Laboratório de Logística e Transportes da Universidade Federal de Santa Catarina (LABTRANS) e Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES).

O Papel Logístico da Ferroeste - O presidente da companhia, Samuel Gomes, explica que a redução do custo de transporte é vital para que o Brasil ocupe um espaço maior no comércio internacional. E isto só é possível com a implantação de uma política pública de transporte ferroviário eficiente.

Samuel ressalta que uma redução de apenas 10% no custo do transporte no Brasil, aumentaria em até 43% o volume das exportações brasileiras para os Estados Unidos e 3m 39% para a América do Sul, conforme recente estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

“A crise não deve nos assustar, mas fazer com que nos centremos no que é essencial: fazer o quanto antes investimentos em infra-estrutura que possibilitem a redução dos custos logísticos do País. O Brasil não tem mais tempo a perder”, ressalta o executivo da Ferroeste.

Ele defende o modelo de parceria público-privada no setor de transportes, o qual vem sendo praticado pelo estado do Paraná. E faz um alerta: “em monopólios naturais, como é o transporte ferroviário, não há competição. Por isso, o Estado deve atuar fortemente para proteger a economia do aumento indevido e injustificado dos fretes, o que somente é possível através de uma empresa ferroviária pública como é a Ferroeste”. O modelo paranaense está sendo exportado para Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, e deve se transformar, em breve, num projeto regional.

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